A Unicidade de Mestre e Discípulo – Parte 1

Um princípio fundamental do budismo é o da unicidade de mestre e discípulo (shitei funi, em japonês). No termo “shitei funi”, shi significa mestre, tei, discípulo e funi, inseparabilidade ou unicidade. É um conceito que explica que não há distinção entre mestre e discípulo, por mais diferentes que sejam suas personalidades. Além disso, essa relação transcende os limites de tempo e espaço e constitui a mais elevada e fundamental forma de relacionamento humano.

Por que o Budismo Nitiren dá importância à unicidade de mestre e discípulo? A resposta fica clara quando entendemos que a Lei é a base de todas as coisas. No budismo, mestre é o Buda, ou a pessoa iluminada para a Lei; o discípulo é a pessoa que busca a iluminação. A diferença entre ambos reside apenas na iluminação atingida pelo Buda. Porém, perante a Lei, ambos são iguais e encontram-se unidos.

Comumente, o discípulo é encarado como um ser subserviente ao mestre. Por isso, muitos podem pensar que a unicidade de mestre e discípulo é algo ultrapassado ou mesmo perigoso como instrumento de manipulação das pessoas. Porém, no budismo, essa relação tem como base a perfeita igualdade. Em termos práticos, no Budismo Nitiren, e mais especificamente na SGI, o discípulo deve agir com o espírito de atuar onde o mestre não pode estar, levando seus ideais a todos os locais.

As orientações do presidente da SGI, Daisaku Ikeda, estão embasadas nos escritos budistas denominados Gosho, e não são, portanto, suas opiniões pessoais. Ele é um orientador da prática do Budismo Nitiren. Em suas orientações são citados os pensamentos e frases de intelectuais e personalidades do mundo, e são observados do ponto de vista do ensinamento do budismo. Sua luta visa ao objetivo chamado Kossen-rufu. Para se aprender o budismo é necessário ter um mestre que ensina. Caso alguém aprenda o budismo por opinião própria, pode-se desviar da correta interpretação. Justamente para se evitar isto, é importante a existência de um mestre, da organização e de seus responsáveis.

Na vida, é fundamental ter um mestre capaz de orientar como vivermos dignamente. A compreensão da relação de mestre e discípulo não é facilmente aceita, principalmente no ocidente. Podemos encontrar, em muitos campos, sobretudo na educação, mestres que procuram ensinar seus conhecimentos teóricos e práticos ligados a um determinado aspecto.

Um professor, por ter conhecimento, é tido como superior ao aluno. O novato é tido como inferior por não possuir tanta experiência como o veterano. Enfim, essa relação é tida como unilateral, pois vem de alguém superior para com alguém inferior. Mesmo no budismo, o senso comum leva a estabelecer o Buda como absoluto e as pessoas comuns como subordinadas a ele.

A unicidade de mestre e discípulo não deve ser encarada dessa forma. No budismo, mestre é aquele que direciona nossa vida à felicidade e dedica-se junto com os discípulos pelo supremo ideal da paz mundial e felicidade de toda a humanidade.

BRASIL SEIKYO, EDIÇÃO Nº 1983, PÁG. A8, 18 DE ABRIL DE 2009.

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4 comentários Adicione o seu

  1. júlio césar disse:

    SEU SITE OU BLOG, SÃO EXCELENTES, PARABÉNS!

    1. GuoTonetto disse:

      Júlio César que bom que você gostou. Espero estar ajudando com ele ativo.

  2. osvalderli disse:

    adoro esse gosho sempre estou aprendendo e tentando colocar em pratica na minha vida alguma coisa referente a esse gosho obrigado amigo parabéns pelo blog. estarei sempre por aqui abraço !!!!

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